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Querido Diário,
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13.7.13

Uma ideia....

Quero pra mim o teor explícito dessa frase: Sou cada palavra, vírgula, ponto, reticências, rima, silêncio, caos, parênteses e ponto de interrogação de meus escritos. Apenas mais uma tentativa de sobrevivência de uma velha alma que não se cansa de escrever. 



Perfeição, o que seria? Tal coisa realmente existiria em um mundo como o nosso? Ou a perfeição seria o conjunto de detalhes imperfeitos, colocados lado a lado como mosaicos de azulejos em uma linda catedral? Será que nessa incessante busca pela chamada perfeição, não acabamos por nos tornar imperfeitos? Como um filme sem roteiro, como a música sem ritmo, como a noite sem luar, como uma criança sem brilho no olhar? Mas volto a perguntar, o que seria à tão buscada perfeição, se nada além de uma doce ilusão? Uma ideia que nos move em frente, uma frenética emoção, um impulso para prosseguirmos em nossa luta diária. Ou será que existiria? Talvez a perfeição encontra-se nas pétalas das rosas, nas folhas que caem no outono, ou no desabrochar das flores na primavera, mas diga-me então o podemos chamar de perfeição? Apenas imperfeita definição? Segundo a teoria do caos, presente na existência de quase tudo o que nos cerca, uma pequena ação agora pode definir o seu futuro amanhã. Talvez esse seja o segredo, afinal o que seria dos grandes amores sem o primeiro olhar interessado, ou da grande obra revelada sem o primeiro segundo inspirado que desperta e desencadeia o traço, a palavra, a frase, o verso, a emoção? O que seria do encontro sem o adeus, da conquista sem o nascimento do sonho, da vitória sem o ponta pé inicial. A perfeição está no detalhe, no começo, no segundo exato que te move e modifica, uma sequencia infinita de atos, fatos e visões subsequentes que se reproduzem e multiplicam, sentimentos aflorados da alma de todo ser. Seria o mundo assim tão perfeito que o propósito imperfeito seja a chave da ilusão? Quem sabe um dia o homem se atente aos pequenos detalhes e entenda definitivamente que o primeiro ato, o simples e inacabado, o desejo submerso, instintivo e infinito, a lágrima que um dia carregou toda a dor, o sorriso deslocado por uma flor, o olhar desprendido e incalculado capaz de explodir o coração, são mesmo eles toda a perfeição? Vamos, meu caro, não deixe o tempo passar feito vento, vasculhe a alma, habite o caos e faça do ato o detalhe perfeito da maior obra de toda a tua vida, o teu próprio futuro tão belo e imperfeito!


25.6.13

Pra falar de amor....



Pra falar de amor tem que ter em mente toda a beleza do mundo, palavras de grande significado e impacto. É preciso ter a alma de uma manada inteira de elefantes que carrega a sabedoria do universo em seus lombos gigantes. Tem que olhar de cima pra não perder de vista o horizonte, ser pássaro, ser luz, ser cada gota de chuva que despenca do céu, ser oceano, infinito, ser silêncio e o grito de liberdade que se faz ecoar desdobrado e repetido na cordilheira do Himalaia. Pra falar de amor é preciso sentir nas palmas das mãos o frio profundo das paredes nas Ruínas de Petra da ensolarada Jordânia, amores vividos e acumulados, encrustados em anos de história. Entender que apesar dos obstáculos é o único sentimento capaz de superar o mal. Nele estão contidos as maiores forças do planeta, a esperança, a solidariedade e a felicidade e apesar da sua complexidade, o amor existe nos detalhes, nos pequenos gestos, nos olhares diretos. Ele tem a força das águas das quedas das Cataratas do Iguaçu, se precipita, despenca e se planifica em um delicioso banho de vapor. Emaranhar-se em suas nuvens de água nos faz pensar como o amor pode ser solúvel, maleável e informatável, visto que não se pega, não se come, pelo ou menos no sentido literal, mas se sente em todos os sentidos do mundo. E pedra por pedra o amor é construído e tal qual as Muralhas da China é forte, protege, acalenta e destitui a sombra de qualquer dúvida bandida. A vontade de correr sobre ele de ponta a ponta feito equilibrista durante seu doce e singelo número solista. Ele é a sensação de ser livre, a vontade de voar e plainar sobre as cabeças da humanidade inóspita, depressiva e sem graça. Larga isso de mão e vem falar de amor comigo? E não vamos nos esquecer da paz. Te mando uma passagem de avião e ao sobrevoar o Rio olhe bem para o Cristo Redentor, com seus braços abertos, tão impoluto e soberano. Vamos falar de amor ao som de rock in roll? Essa vida já é sofrida demais para nos deixarmos sucumbir pela dor, me desculpe, eu preciso de resgate, eu preciso de amor.



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